Onda de lama, procedente do rompimento de barragens em Mariana (MG), invade o Rio Doce
Fred Loureiro/Secom-ES
Por Pedro Paulo
Ontem dia 5 de novembro de 2016, comemorou-se a morte da vida. Completou um ano do maior desastre ambiental do Brasil. Infelizmente, o mais triste desta história é que o bolo que coroa esta celebração tem nome: IMPUNIDADE.
Os responsáveis ainda não foram punidos por culpa da lentidão da justiça. A população que sofre até hoje com os danos não foi devidamente ressarcida dos prejuízos. Não temos visto nenhum empenho das autoridades em acelerar o cumprimento de medidas que tragam solução possam amenizar o impacto deixado por esta tragédia.
Vou republicar o poema: A vida sem respeito não é vida, é rejeito! De autoria de Iracema Claro, cuja fonte deixo citada abaixo, que tenta retratar o sentimento em verso deste episódio lamentável...
A vida sem respeito não é vida, é rejeito!
O Brasil de cores e seu povo cheio de dores.
A cor da bandeira do choro mineiro é marrom.
A dor da morte é vivida, cheirada e sentida.
A vida foi mergulhada na morte marrom.
A água ficou sem ar,
Sem razão de ser bebida, molhada,
fresca, tocada, sentida.
O ar ficou tristonho
O rosto ficou sem cor
E a cor da dor: Marrom.
Sentiu o mar
Sentiu o rio
Sentiu o ribeirinho
O pescador sem pão, sem rio, sem ninho.
Marrom ficou o brilho do olhar do pescador
Marrom ficou a vida do ribeirinho ... que dor!
Marrom ficou a vida mineira
Extasiada pela tragédia, ficou a pátria inteira.
O rio sem água pra viver
Há água, pra não beber
O peixe sem água sem vida,
Ninguém mais nada, nada!
O mundo viu isso, tragédia anunciada.
Comum desrespeito por aqui, óh minha pátria amada!
Em silêncio de morte responde a natureza:
Poder sem responsabilidade gera morte, secura, desolação, vergonha e tristeza.
A vida sem respeito não é vida, é rejeito!
Autora: Iracema Claro
Fonte: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/a-vida-sem-respeito-nao-e-vida-e-rejeito